Quando o Coringa encontra o Smurf no corredor da escola

O Colégio Santa Teresa teve uma ideia. Chamou a coisa de Dia Diferenciado Motivacional, ou DDM, porque sigla dá um ar de seriedade ao que é, basicamente, uma breve licença para o caos controlado. Foi na última quarta-feira, dia 19 de novembro. Os alunos do terceiro ano do Ensino Médio foram os protagonistas desta história que mistura pedagogia, pastoral e fantasia de anime.
A ideia, segundo quem pensou nisso, era reduzir a ansiedade. Porque, convenhamos, estar no terceirão é uma ansiedade só. Vestibular, ENEM, futuro, essas coisas que fazem os jovens perderem o sono e os pais se estressarem na tentativa de dar conselhos úteis. Então o colégio salesiano resolveu proporcionar uma manhã de relaxamento. Os alunos interagiram com o ambiente que estão prestes a abandonar, numa espécie de despedida antecipada com direito a fantasia.
O desfile dos personagens improváveis
E aí começou o espetáculo. Os alunos chegaram fantasiados de animes preferidos. Bem, alguns de animes. Outros decidiram que a ocasião pedia Batman. Ou Smurf. Ou Coringa, que tecnicamente não é anime, mas quem vai discutir com um adolescente fantasiado de Coringa?
Personagens do Divertidamente circulavam pelos corredores, provavelmente representando as emoções contraditórias de quem está terminando o Ensino Médio. Mutano dos Jovens Titãs apareceu. Ursinhos Carinhosos conviviam pacificamente com Popeye. Lorax e Padrinhos Mágicos completavam o cenário surreal. Era como se alguém tivesse chacoalhado a caixa de brinquedos da cultura pop e derramado tudo no colégio.
Quando a pedagogia encontra a pastoral
A manhã começou com conversa séria. O professor Jorge Barreto, auxiliar da coordenação, e o professor André, padrinho de sala, dialogaram com os alunos. Depois veio o momento oracional. O padre João dos Santos Barbosa Neto, diretor da Pastoral, conduziu a reflexão. Imagino que deve ter sido interessante refletir sobre a vida ao lado de um Coringa e três Smurfs.
Os estudantes visitaram todas as salas do colégio. Saudaram professores e alunos menores. Foi uma espécie de tour de despedida, mas com figurino.
A síndrome de Proust no Fundamental I
A visita ao Ensino Fundamental I provocou o efeito esperado. A memória voltou no tempo com a velocidade de quem clica em fotos antigas no celular. Os alunos perceberam que tudo passou rápido. Muito rápido. Aquele lugar onde eles mal sabiam amarrar o cadarço agora parecia minúsculo. A emoção tomou conta do grupo. Alguns devem ter pensado: como era simples quando a maior preocupação era não esquecer o lanche.
O almoço que fecha o ciclo
Todos os alunos do terceirão participaram de atividades recreativas. As dinâmicas ressaltaram os laços que a turma construiu ao longo dos anos. Aquele tipo de amizade que se forma entre quem sobreviveu junto às mesmas provas, aos mesmos professores e às mesmas crises existenciais no intervalo.
O colégio ofereceu almoço. Pais e familiares compareceram. Compartilharam o momento. Viram seus filhos fantasiados, crescidos, prestes a sair dali para o mundo. E provavelmente pensaram a mesma coisa que os alunos pensaram lá no Fundamental I: passou rápido demais.















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