Paróquia São João Bosco promove formação sobre a Semana Santa para pais dos catequizandos

No último sábado (28/03), a Paróquia São João Bosco, em Campo Grande, reuniu centenas de pessoas, entre pais e filhos da catequese, para um momento de reflexão e fé. O encontro, presidido pelo pároco P. Edson Cardoso Colman, teve como objetivo preparar a comunidade para a vivência do Tríduo Pascal, o período mais importante da fé católica. Durante a formação, o pós-noviço salesiano Henrique Belmello detalhou a rica teologia por trás das celebrações, destacando que a liturgia é profundamente pedagógica e convida os fiéis a mergulharem no sacrifício de Cristo. O também pós-noviço salesiano Valério Roberto Gomes falou sobre a visão de Maria como mãe ao lado de Jesus Crucificado.
O luto litúrgico prepara o coração para a ressurreição
Um dos pontos centrais da palestra de Belmello foi o conceito de “jejum visual e auditivo” que ocorre no Sábado Santo. Nesse dia, a Igreja impõe uma transformação drástica: o altar fica desnudado, não há flores, incenso ou o toque dos sinos, e o próprio Sacrário permanece vazio. Essa ausência de sinais festivos ensina o fiel a suportar a dor da aparente ausência de Deus para valorizar a alegria da Ressurreição. O pós-noviço explicou que este é o “Sábado Cósmico”, um paralelo ao repouso de Deus no Gênesis; enquanto na criação Deus descansou no sétimo dia, no Sábado Santo, Jesus repousa após completar a “Nova Criação” da humanidade através de seu sangue.
Jesus desce à mansão dos mortos para resgatar a humanidade
Henrique Belmello também esclareceu a complexa afirmação do Credo sobre a descida de Jesus à “mansão dos mortos”. Diferente da Geena (o inferno da condenação), Jesus desceu ao Sheol ou Hades, o estado de privação da visão de Deus onde os justos aguardavam a salvação. Citando São Tomás de Aquino, o palestrante explicou que Cristo foi a esse lugar para triunfar sobre a morte em seu próprio território e resgatar Seus amigos. Uma curiosidade artística citada foi o “ícone da Anastasis”, onde Jesus não segura Adão e Eva pelas mãos, mas pelos pulsos, simbolizando que a humanidade não tinha forças próprias para se salvar e que a redenção é uma iniciativa total da graça de Cristo.
A Vigília Pascal rompe o silêncio com a liturgia da luz
O encerramento da formação abordou a Vigília Pascal, chamada por Santo Agostinho de “a mãe de todas as santas vigílias”. A celebração é dividida em quatro momentos: a Liturgia da Luz, a da Palavra, a Batismal e a Eucarística. No Círio Pascal, a cera produzida pelas abelhas simboliza a carne puríssima de Cristo, enquanto os cinco grãos de incenso cravados representam as chagas de onde emana o perfume da salvação. O auge do encontro ocorre quando, no momento do Glória, as luzes se acendem e os sinos voltam a tocar, quebrando o silêncio do luto e celebrando a Presença Real de Cristo no Sacrário.
A presença materna de Maria aos pés da cruz
A palestra ministrada pelo pós-noviço Valério Roberto Gomes trouxe sob uma perspectiva antropológica, a visão de que a dor de Maria pode ser entendida como expressão da capacidade humana de dar sentido ao sofrimento. Ele esclareceu que o ser humano não busca apenas evitar a dor, mas também compreendê-la. E que Maria não reage com revolta ou desespero desordenado; que ela acolhe a dor dentro de uma confiança maior. Isso indica que a fé oferece um horizonte de sentido, no qual o sofrimento não é vazio, mas pode ser integrado a um propósito. Valério abordou primeiramente o significado teológico da Paixão e Morte de Jesus Cristo. Com linguagem acessível e fundamentação bíblica, o salesiano apresentou a cruz não como símbolo de derrota, mas como ápice do amor de Deus pela humanidade — uma perspectiva que, segundo ele, deve iluminar também a formação das crianças na fé.
A cruz se revela como trono e não como patíbulo
Valério partiu da teologia do Evangelho de João para mostrar que a Paixão de Cristo é um evento de exaltação e glória, não de fracasso. “Ninguém tira a minha vida, eu a dou livremente”, citou ele, reforçando que a entrega de Jesus foi um ato soberano e voluntário. Nessa leitura, o instrumento histórico de suplício e escândalo é ressignificado como o lugar onde as Escrituras se cumprem e a Igreja nasce.
Sofrimentos de Cristo carregam poder restaurador para a humanidade
O pós-noviço recorreu ao capítulo 53 do livro de Isaías para apresentar Jesus como o Servo Sofredor — a figura inocente que assume as dores alheias sem perder a fidelidade a Deus. Cada sofrimento físico foi interpretado de forma simbólica: as bofetadas restaurariam a beleza humana; os açoites, o peso do pecado; e as mãos pregadas na cruz curariam o pecado original. “Cristo assume a condição humana em sua totalidade para curá-la por dentro”, explicou Valério.
Descida aos mortos revela que nenhum abismo escapa à ação de Deus
Além dos sofrimentos físicos, o palestrante explorou o significado da descida de Jesus ao Sheol — a mansão dos mortos na tradição hebraica. Para Valério, esse momento demonstra que Jesus experimentou plenamente a separação entre alma e corpo, levando luz onde havia trevas e anunciando salvação aos justos que aguardavam. Mesmo na aparente impotência da morte, a ação salvífica de Deus permanece operante.
Maria aparece como modelo de fé para quem educa na esperança
Na conclusão, Valério destacou a figura de Maria como exemplo máximo da fé que sabe esperar no escuro. A mensagem foi dirigida diretamente aos pais presentes: a cruz não é apenas um evento histórico distante, mas uma dinâmica diária de serviço e escolhas. Carregar a própria cruz, afirmou o pós-noviço, é a resposta concreta do crente ao sacrifício total de Cristo — e é precisamente esse testemunho que os filhos precisam ver em casa.










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