Ofício de Trevas atrai centenas de fiéis à Capela do Colégio Dom Bosco

Celebração tradicional reúne fiéis em Campo Grande
Na noite desta quarta-feira (16/04), após a Santa Missa do dia, na capela do Colégio Salesiano Dom Bosco de Campo Grande, aconteceu o tradicional “Ofício de Trevas”. A celebração tem origem na tradição litúrgica da Igreja Católica, mais especificamente na Liturgia das Horas da Semana Santa, e remonta à Idade Média, com raízes que se consolidaram no rito romano a partir do século IX.



Centenas de fiéis quase lotaram a capela participando com grande devoção e fé das orações dos salmos e meditações a respeito da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Parte da celebração foi transmitida ao vivo pelo perfil oficial da capela no Instagram.
Rito tem origem medieval e forte simbolismo litúrgico
O nome “Ofício de Trevas” vem do latim Tenebrae, que significa “trevas” ou “escuridão”. Trata-se de uma celebração que combina as Matinas e as Laudes (orações da madrugada e do amanhecer) dos dias do Tríduo Pascal: Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo. No entanto, essas orações eram antecipadas para a noite anterior, o que tornava possível a celebração em ambiente escuro, carregado de simbolismo.Elementos simbólicos marcam a experiência litúrgica
Elementos simbólicos marcam a experiência litúrgica



O ritual litúrgico teve o diretor da comunidade salesiana, P. Wagner Galvão, presidindo, sendo acompanhado por ministros extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística, além 26 “acólitos” e 5 coroinhas formados nos grupos de pastoral do Colégio. Eles atuaram na organização e realização de todos os gestos litúrgicos da celebração, incluindo o acender e apagar das velas, execução das “matracas” e leituras sagradas.
Liturgia contempla textos bíblicos e cânticos penitenciais
O Ofício de Trevas é conhecido por alguns elementos marcantes:
- Candelabro triangular (tenebrário) com 15 velas: 14 velas representam os apóstolos (menos Judas) e os profetas, e uma vela no topo representa Cristo. Ao longo do ofício, as velas são apagadas uma a uma, simbolizando o abandono de Jesus e o avanço das trevas sobre a Terra.
- Apagamento das luzes: cria um ambiente de penumbra, recordando a escuridão que cobriu a Terra na morte de Cristo.
- “Strepitus” (barulho ou estrondo): momento final do ofício, em que se produz um som forte — batendo-se livros ou objetos — para simbolizar o terremoto ocorrido após a morte de Cristo (cf. Mt 27, 51).
O conteúdo dos Ofícios de Trevas é profundamente meditativo e inclui:
- Salmos penitenciais (especialmente os Salmos 50, 51 e 88);
- Leituras do Livro das Lamentações de Jeremias, com forte tom fúnebre e profético;
- Responsórios e cânticos que expressam dor, abandono e esperança na ressurreição.
Rito se mantém vivo em comunidades eclesiais tradicionais
Após a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o Ofício de Trevas deixou de ter sua celebração oficial, como antes, passando a fazer parte das celebrações próprias do Tríduo. Contudo, em muitos mosteiros, comunidades tradicionais e catedrais, ele ainda acontece como uma forma devocional ou artística, especialmente na forma extraordinária do rito romano.
“Na nossa capela salesiana, a comunidade foi incentivada a resgatar essa belíssima tradição da Igreja Católica como forma de aprofundar e vivenciar os mistérios vividos e celebrados durante a Semana Santa”, declarou o diretor, P. Wagner.







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