Inspetor preside missa com a juventude no domingo de Páscoa na Paróquia Auxiliadora de Campo Grande

O Inspetor da Missão Salesiana de Mato Grosso, Padre Adalberto Alves de Jesus, celebrou a missa com a juventude no domingo de Páscoa na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, às 10h. O momento reuniu jovens e fiéis em um dos pontos centrais da fé cristã: a Ressurreição de Cristo.
A liturgia do dia, norteou sua reflexão na homilia
O Evangelho de João (Jo 20,1-9), norteou a reflexão. O texto apresenta a ida de Maria Madalena ao túmulo e a corrida dos discípulos Pedro e João, que vão verificar o que havia acontecido. A partir dessa narrativa, o inspetor destacou a diferença de percepção entre os dois discípulos: enquanto um ainda busca compreender os sinais, o outro vai além e acredita.
Destacou ainda em sua homilia que Pedro e João vão ao local para verificar o que ouviram das mulheres. João chega primeiro, mas, em respeito a Pedro, que era o mais velho do grupo, reconhecendo a sua liderança espera que ele entre primeiro.
“Pedro entra no túmulo para ver, e quando ele entra, diz o texto, ele vê as faixas, ele vê o manto separado. E ele, naquela aparência, reconhece: ele ressuscitou. Depois entra o outro discípulo, e diz o texto: ele viu e acreditou”.
Ao aprofundar a reflexão, o inspetor destacou o sentido dessa diferença de atitude: “Então existem duas posturas na vivência da fé e em tudo aquilo que eles haviam convivido e visto Jesus fazer. Pedro vive uma fé de aparência: ele vê, ele constata e ele vai certificar-se de que, de fato, Jesus falou para eles que iria ressuscitar. João vai além das aparências, é o mais novo, ele vê e acredita. E o texto ainda termina: ainda era muito cedo para que eles compreendessem tudo aquilo”.
Somos chamados a dar um passo além
Observando que muitos que participavam com camisetas de diversos movimentos: segue-me, acampamentos, e outros, o inspetor relacionou essa experiência com a caminhada de fé vivida hoje:
“Nós fazemos uma experiência de fé, na catequese, no retiro, nos acampamentos. Muitas vezes fazemos aquela experiência e chegamos com aquilo na cabeça, admirados e com sentimento variados. E, num primeiro momento, nos primeiros meses, vivemos aquilo com intensidade, participando das celebrações eucarísticas e de tudo aquilo que a comunidade propõe e convida”.
E concluiu destacando o passo seguinte no amadurecimento da fé: “E existe aquele que vai além daquela aparência, daquela experiência que fez, que vai chegar e vai dizer: eu quero ser catequista, eu quero participar do grupo tal, eu quero fazer tal coisa e quer se envolver mais”.
O inspetor reforçou ainda que o ponto central e fundamental da fé cristã é a Ressurreição de Cristo e recordou que a celebração mais importante do ano litúrgico é a Vigília Pascal.
Na continuidade da homilia, o inspetor também propôs uma reflexão a partir do livro do Gênesis, abordando aquilo que chamou de “síndrome de Adão”.
Segundo ele, a “síndrome de Adão” se manifesta quando a pessoa transfere a culpa para o outro, revelando dificuldade de fazer uma leitura sincera da própria realidade, da própria história pessoal e das pessoas que fazem parte da sua história. E acrescentou a “síndrome de Gabriela” se expressa na ideia de que sou assim e morrerei assim, quando alguém acredita que não precisa mudar ao longo da vida.
O inspetor destacou que a experiência humana é marcada por um processo contínuo de amadurecimento físico, espiritual e psicológico, e que essas “síndromes” impedem esse crescimento.
Ao refletir sobre o relato da criação, ele explicou que o homem, ao desobedecer a Deus, escolhe trilhar um caminho diferente daquele proposto pelo Criador.
“Ali no Gênesis, o homem começa a trilhar um caminho paralelo ao caminho de Deus, diferente. Ele planta em si a plenitude. A partir daquele ato de desobediência, ele faz a experiência da morte”.
O padre recordou ainda que Deus não abandona o ser humano, não o deixa sem orientação. “Deus não deixa o ser humano sem orientação, mas, mesmo com o cuidado divino, Adão e Eva comem do fruto da árvore do bem e do mal ”.
Na primeira leitura, recorda que a Ressurreição ilumina a missão cristã
Relacionando essa reflexão com a leitura dos Atos dos Apóstolos, o inspetor ressaltou o testemunho de Pedro sobre a ressurreição de Jesus e sua missão.
“Pedro está discutindo a ressurreição de Jesus: quem é esse que ressuscitou? Esse que ressuscitou é o que passou por este mundo fazendo o bem, ele curou tantas pessoas, ele ressuscitou Lázaro…”.
A partir dessa ligação entre as leituras, o inspetor reforçou que a Ressurreição de Cristo não apenas confirma sua divindade, mas também ilumina o caminho do cristão, chamado a viver de forma responsável a própria liberdade, em constante processo de conversão e amadurecimento.
A segunda leitura reforça o olhar para o essencial da fé
Refletindo a segunda leitura, da Carta aos Colossenses (Cl 3,1-4), o inspetor destacou o convite a viver uma fé voltada para aquilo que é essencial e permanente. Ele recordou que a comunidade de Colossas era pequena, com poucos cristãos, mas já chamada a compreender que a vida em Cristo exige um novo olhar sobre a realidade.
Segundo o padre, São Paulo orienta os fiéis a buscarem as coisas do alto, sem se prenderem apenas ao que é passageiro. Ele ressaltou que as realidades terrenas são necessárias para a vida, mas não podem ser o centro, pois não acompanham o cristão em seu encontro com Deus. Nesse sentido, reforçou que viver a fé não significa cair em práticas superficiais ou meramente emocionais, mas assumir um caminho concreto de compromisso.
Aos jovens, disse:
Dirigindo-se aos jovens presentes, o inspetor incentivou a participação ativa na vida da Igreja e chamou a atenção para a importância da confiança. Ele observou que, embora haja muitos jovens nas comunidades, ainda existe a ideia de que eles não estão preparados para assumir responsabilidades.
O padre questionou essa postura e destacou a necessidade de dar oportunidades reais aos jovens, confiando neles e permitindo que participem mais ativamente. Também direcionou a mensagem aos pais, alertando sobre os riscos da superproteção, quando o cuidado se transforma em controle sem confiança.
Ao concluir, o inspetor ressaltou que a fé cristã é um exercício profundo de confiança em Deus, tomando como base a Ressurreição de Jesus. Ele explicou que acreditar não é algo apenas abstrato, mas se concretiza em atitudes, comportamentos e decisões no dia a dia.
Assim como o discípulo que viu e acreditou, o cristão é chamado a olhar com profundidade para os acontecimentos da vida. Essa vivência começa no cotidiano, dentro de casa, nas relações com a família, e se estende para toda a comunidade, como expressão concreta de uma fé amadurecida.








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