Festa de Santo Antônio reúne 50 mil fiéis e marca 70 anos da Paróquia Salesiana em Barra do Garças

A Festa de Santo Antônio de Barra do Garças encerrou sua 73ª edição em 2026 com a presença de cerca de 50 mil pessoas ao longo de duas semanas de festejos, e o evento ganhou contornos de marco histórico ao coincidir com os 70 anos da Paróquia Santo Antônio, celebração conhecida como Bodas de Platina. A edição também foi a primeira realizada após o reconhecimento da festividade como Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Mato Grosso, por meio da Lei Estadual nº 13.355. Para o pároco P. Slawomir (Waldomiro) Bronakowiski, o resultado superou as expectativas: “Foi um espetáculo, pois a cidade parou para ver um evento como este; já faz tempo, pelo menos, não foi visto antes da pandemia.”



Raízes de sete décadas
A história da paróquia antecede sua fundação oficial. Uma capela simples já reunia os primeiros devotos quando padres salesianos de Araguaiana percorriam a região para celebrar missas entre garimpeiros e ribeirinhos. A instituição tornou-se, com o tempo, a mais antiga da diocese e sua trajetória entrelaça-se com a própria identidade do município, fundado pelo devoto Antônio Cristino Cortes.
Cavalgada, voo e bênçãos sobre a região
A abertura das festividades, no dia 30 de maio, foi com uma cavalgada pelas ruas da cidade com 150 cavalos e seis carros de bois, cada um puxado por oito animais, conduzindo o andor de Santo Antônio. Durante a Trezena, ao longo de 13 dias, missas presididas por padres convidados em rodízio mantiveram a igreja com presença de fiéis todos os dias. Na última semana, o pároco visitou e abençoou 48 órgãos públicos, entre fóruns, escolas e hospitais, levando a imagem do padroeiro. Um dos momentos de maior repercussão foi o voo panorâmico de meia hora sobre Barra do Garças, Pontal do Araguaia e Aragarças, realizado pelo terceiro ano consecutivo para abençoar os municípios da região.



Parceria com o poder público
O reconhecimento da festa como patrimônio estadual impulsionou o apoio institucional ao evento. A Prefeitura e a Câmara Municipal de Barra do Garças arcaram com despesas de palco, som, músicos e estrutura de tendas. A segurança contou com patrulhamento das Polícias Militar, Civil, Federal e Penal, além do acompanhamento do Corpo de Bombeiros. Durante a visita às repartições públicas, o prefeito anunciou a intenção de criar um jardim de inverno em seu gabinete para abrigar uma imagem de Santo Antônio doada pela paróquia.



Tradição, cultura e o “Zé do Bingo”
A programação social reuniu mais de 20 barracas com comidas típicas, leilões de prendas, parque de diversões e música ao vivo. O bingo, comandado há 37 anos por “Zé do Bingo”, personagem conhecido pelo bordão “Quem não pediu, pida”, manteve o lugar de atração entre os participantes. O pároco ressaltou que as “pessoas vinham participar da região toda” e que o “pessoal em massa vinha aguardando, esperando com ansiedade, sabendo que é bem preparada.”
Encerramento com multidão e pães de Santo Antônio



No sábado, uma procissão partiu da catedral com o andor transportado em um caminhão do Corpo de Bombeiros. No domingo, a Santa Missa campal de encerramento foi presidida pelo bispo Dom Paulo Renato, com a concelebração dos padres locais e a presença de uma multidão. Durante a celebração, foram abençoados e distribuídos 3.000 pães de Santo Antônio, tradição mantida pelos fiéis que buscam prosperidade e fartura. Uma placa comemorativa foi inaugurada na entrada da igreja matriz para registrar os 70 anos da paróquia. Ao fazer o balanço, P. Slawomir (Waldomiro) Bronakowiski não deixou dúvidas: “Foi show de bola mesmo.”

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