Emoção e gratidão marcam Santa Missa em que formandos salesianos professaram votos perpétuos em Campo Grande

Na noite desta quinta-feira (29/01) os formandos salesianos Leandro Plizzari da Silva e Cleiton Cecílio da Silva Bastos professaram os votos perpétuos como Salesianos de Dom Bosco. A celebração aconteceu na Capela São Francisco de Sales, que fica no Instituto São Vicente, em Campo Grande. Estiveram presentes na cerimônia os familiares dos dois jovens salesianos e representantes de quase todas as presenças salesianas da Inspetoria de Campo Grande. Integrantes dos grupos da Família Salesiana na cidade também participaram, entre eles FMA, SSCC e ADMA. A Profissão Perpétua encerra o período de votos temporários e inicia uma entrega definitiva à missão de Dom Bosco.



Trajetórias vocacionais dos professos
Leandro Plizzari da Silva iniciou sua trajetória vocacional em 2015. O testemunho do Padre Jair Marques, SDB, em sua comunidade rural o inspirou. Para Leandro, a vocação não foi um plano individual, mas uma resposta a um convite divino. “Eu acredito fielmente que é Ele que chama. E agora estou às portas de dar esse sim definitivo a essa vida salesiana”, declarou.
Cleiton Cecílio da Silva Bastos nasceu em Três Lagoas e traz em sua história a marca do serviço social e da resiliência. Antes de ingressar na vida religiosa, ele atuou como menor aprendiz na Obra Social Salesiana dessa cidade, onde começou a vislumbrar seu futuro. Para ele, a alegria do carisma está na presença constante. “O que me encanta é… estar ali com eles no pátio… você fazer essa presença com o jovem”, afirmou. Cleiton revela que vê na obra social a chance de transformar vidas e busca formar “bons cristãos e honestos cidadãos”, como sonhava Dom Bosco.



Homilia sobre a santidade como lapidação espiritual
O Padre Adalberto Alves de Jesus, Inspetor da Missão Salesiana de Mato Grosso, durante a homilia, propôs uma reflexão sobre a natureza da santidade na vida religiosa. O sacerdote não apresentou a santificação como um acúmulo de feitos ou uma construção externa, mas a definiu como um processo de lapidação espiritual. De acordo com o inspetor salesiano, ser santo “não implica erguer estruturas ou somar bens, mas remover os excessos e limpar a alma para que a vida divina, que já habita no indivíduo, possa transparecer como essência”.
O celebrante fundamentou os argumentos da homilia na teologia de que os santos são “imagens da presença de Deus porque permitiram que a graça habitasse neles de forma plena e transformasse suas existências em benefício do próximo”. Para alcançar esse estado, P. Adalberto destacou a necessidade de um exercício contínuo de cultivo de virtudes, fundamentado na carta de São Paulo aos Colossenses. Entre as virtudes essenciais citadas para a vida em comunidade e a missão salesiana figuram a misericórdia, a bondade, a mansidão e a paciência.
O caminho da tolerância ao perdão
Ainda na homilia, Padre Adalberto estabeleceu uma distinção didática entre o esforço humano e o exercício divino na caminhada vocacional. De acordo com o celebrante, o primeiro passo, de caráter humano, consiste em suportar o outro e aceitar as manias e limitações alheias no cotidiano. “Uma vez superado esse estágio, o religioso é chamado ao exercício divino: o perdão prático àqueles que apresentam queixas”, afirmou.
O inspetor salesiano ainda destacou que essa progressão, que vai da tolerância ao perdão, culmina no aprendizado do amor. E descreveu o amor como o vínculo da perfeição. “A santificação não consiste em acumular coisas ou erguer paredes, mas no esforço de ir se lapidando, limpando e tirando os excessos para permanecer aquilo que é essencial, que é a vida divina”, declarou. E concluiu que esse exercício de purificação permite que a graça de Deus, habitando nos religiosos, transforme a vida das pessoas ao redor.
A tensão sagrada do já e ainda não
No final da celebração, Leandro Plizzari fez um discurso de agradecimento aos salesianos e à comunidade. Ele complementou a reflexão da homilia ao descrever a consagração por meio da expressão teológica “já e ainda não”. Leandro lembrou que os professos vivem em uma tensão sagrada, pois, embora já sejam dele (de Deus), eles reconhecem que ainda estão sendo moldados por Ele. E que a entrega definitiva se marca pela percepção de que, apesar de terem experimentado o amor de Deus, os salesianos ainda caminham rumo à plenitude desse amor.
Leandro citou o momento vivido apresentando a profissão perpétua não como conclusão, mas como o início de um caminho que continuará a ser construído todos os dias. Segundo o jovem salesiano, “a fidelidade ainda precisa crescer e o coração ainda precisa ser purificado, pois a vida ainda está em construção”. Ainda lembrou que “Permanecer no amor significa reconhecer o enxerto na videira, mesmo ciente de que ainda não produzem todos os frutos e ainda não alcançam a plenitude da santidade”.
Gratidão e reconhecimento comunitário
A gratidão expressa no discurso revelou a importância da vida comunitária e formativa na construção da identidade salesiana. Leandro descreveu as diversas comunidades por onde passou, incluindo as etapas de pré-noviciado, noviciado, pós-noviciado e tirocínio, como verdadeiros lugares teológicos, onde Deus educou sua fé e o configurou ao Cristo Bom Pastor. Ele estendeu esse reconhecimento à Inspetoria de Campo Grande, aos formadores e a comunidades específicas em São Paulo, como a de Santo Tomás de Aquino, onde viveu sua formação teológica.
Família como primeiro terreno da vocação
Além da dimensão institucional, o discurso conferiu um lugar de honra à família. Leandro a descreveu como o primeiro terreno onde a semente da vocação germinou. Os familiares foram reconhecidos como os responsáveis por iniciarem os jovens no caminho de Deus e ensinarem as bases da fé, esperança e amor. Leandro também valorizou a presença de amigos, educadores e jovens e viu neles sinais concretos da ação do Espírito Santo que ajudaram a amadurecer o sim definitivo à congregação.
O encerramento do discurso reafirmou a espiritualidade salesiana ao confiar a fidelidade diária a Maria Auxiliadora, invocada como mãe e mestra. Ao citar o lema escolhido, “Permanecei no meu amor”, de João 15,9, Leandro encerrou sua fala não apenas agradecendo aos que tornaram a celebração possível, desde a equipe de liturgia até os que trabalharam no silêncio, mas renovando o compromisso de serviço ao Reino de Deus, em unidade com a Família Salesiana.











































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