Delegação da MSMT peregrina pela terra dos primeiros missionários salesianos na Argentina

Entre os dias 14 e 18 de novembro, três representantes da Missão Salesiana de Mato Grosso (MSMT) viveram uma experiência única na Argentina, participando das celebrações pelos 150 anos da Primeira Expedição Missionária Salesiana. João Lucas Gonçalves, coordenador de Pastoral da inspetoria, o Padre Rafael Gustavo Lopes, pró-reitor da Pastoral da UCDB, e Romário Corrêa, da pastoral da Cidade Dom Bosco de Corumbá, representaram a Inspetoria de Campo Grande em um encontro que reuniu cerca de 100 jovens de diversos países do continente.
“Logo ao chegar e contemplar tantos jovens de diversos países, línguas e culturas unidos por um mesmo carisma, percebi que, apesar das diferenças, falávamos a mesma linguagem: a de Dom Bosco”, relembra João Lucas Gonçalves.
Uma viagem às raízes salesianas
Há 150 anos, em 1875, os primeiros Salesianos deixavam a Itália rumo à sua primeira missão evangelizadora fora da Europa. O destino era a Patagônia, escolha inspirada por um sonho de Dom Bosco, no qual ele se via em uma “terra distante do fim do mundo”, vasta, inóspita e habitada por povos que viviam em isolamento e enfrentavam grandes dificuldades.
Guiados por esse sonho, os Salesianos chegaram a Junín de los Andes, onde tiveram contato direto com os Mapuches, povo originário dotado de língua, cultura e espiritualidade próprias. Ali, os missionários levaram educação e evangelização, denunciaram abusos de militares e grandes fazendeiros, protegeram comunidades de massacres e expulsões, e valorizaram e registraram a história deste povo. Dessa presença nasceram frutos preciosos como o Beato Ceferino Namuncurá, jovem indígena filho de cacique, e a Beata Laura Vicuña.
Cinco dias de imersão espiritual



O retiro começou no dia 14 de novembro com dinâmicas de integração, momentos de animação, reflexão e oração. Os jovens foram organizados em comunidades, criando um ambiente propício para a troca de experiências e o fortalecimento dos laços fraternos.
No segundo dia, a programação incluiu pregações sobre os passos físicos e espirituais que moldaram a personalidade de Laura Vicuña e Ceferino Namuncurá. À tarde, os participantes fizeram uma peregrinação pelos lugares onde esteve presente Laura Vicuña, intercalando caminhada com momentos de espiritualidade e deserto.
“Poder criar amizades nesse pátio tão diverso, trocar experiências com jovens líderes e referências em suas presenças, viver momentos de profunda espiritualidade salesiana no lugar onde caminharam dois santos da nossa Congregação… tudo isso transformou a minha vida”, compartilha João Lucas.
A Via Sacra que transforma
O dia 16 de novembro foi marcado por uma experiência particularmente intensa. Os jovens iniciaram às 10h uma longa caminhada de peregrinação pela Via Sacra na montanha, percorrendo 24 estações e encerrando no Cristo Transfigurado no alto do morro. Em grupos pequenos de três ou quatro pessoas, ou às vezes sozinhos, os participantes partilharam, contemplaram e rezaram em cada estação até às 15h.
“Cada momento refletido, as caminhadas na Via Crucis, na casa de Laura Vicuña e no Santuário de Zeferino Namuncurá durante o encontro, foi a oportunidade de reafirmar cada vez mais meu trabalho como educador e assessor, assim como fortalecer a caminhada de fé, porque sem Cristo não somos nada”, testemunha Romário Corrêa.
Ao final da tarde, já de volta ao colégio, os jovens participaram de uma Santa Missa com a presença marcante da cultura mapuche e dos povos originários, presidida pelo Cardeal Ángel Fernández Artime, 10º sucessor de Dom Bosco e hoje a serviço do Vaticano.
Peregrinação à terra de Ceferino



No dia 17, o grupo realizou uma peregrinação especial à terra natal de Ceferino Namuncurá, visitando seu túmulo em San Ignacio. A procissão incluiu também o corpo do falecido Padre Antonio Mateos, missionário salesiano espanhol que viveu mais de 40 anos entre os mapuches e foi um dos responsáveis pelo retorno das relíquias de Zeferino à terra de sua família. Após apropriada cerimônia, seus restos mortais também foram depositados no kultrum para as homenagens dos peregrinos.
A Família Namuncurá, acompanhada por salesianos de Junín de los Andes, conduziu a urna até a capela de San Ignacio, cumprindo a vontade expressa em vida pelo padre Mateos de permanecer para sempre entre os Mapuches.
“Em Junín, pude experimentar uma verdadeira imersão na vida e na cultura de Laura Vicuña e Ceferino Namuncurá, dois jovens que, com sua santidade, são frutos preciosos daquela primeira semente missionária lançada pelos salesianos na Patagônia”, afirma o Padre Rafael Gustavo Lopes.
À noite, a programação incluiu a “boa noite” com Cardeal Fernández Artime e uma noite oratoriana, resgatando o espírito alegre e acolhedor dos oratórios de Dom Bosco.
Celebrações interculturais com o povo Mapuche
As celebrações interculturais contaram com a presença de importantes autoridades eclesiásticas, incluindo o Cardeal Fernández Artime, Dom Fernando Croxatto, Bispo de Neuquén, Dom Esteban Laxague SDB, Bispo de Viedma, além do P. Darío Perera SDB, Inspetor da Argentina Sul. Também participaram membros da Equipe Diocesana de Pastoral Aborígine de Neuquén e da Equipe Nacional de Pastoral Aborígine do Episcopado.
Durante a Missa dominical no Santuário dedicado à Nossa Senhora das Neves, o Evangelho foi proclamado em espanhol e em mapudungun, a língua do povo originário. O Cardeal Fernández Artime destacou: “Estamos diante do Senhor com gratidão para recordar e celebrar um evento que marcou a história espiritual, cultural e humana de nossa Patagônia. O encontro, há 150 anos, entre os primeiros missionários salesianos e o Povo Mapuche-Tehuelche”.
O Cardeal também refletiu sobre o verdadeiro significado da missão: “Hoje reconhecemos que a missão e o verdadeiro encontro que gera vida não começam impondo, mas acolhendo; não começam falando, mas ouvindo; não se apoiam no poder, mas na proximidade”.
A mensagem que permanece



“Conviver com tantos jovens das diversas inspetorias da América foi uma bênção única. A diversidade de línguas, culturas e expressões de fé encheu meu coração de alegria e esperança”, relata o Padre Rafael, que destaca ainda a presença do Cardeal: “A presença paterna e animadora do nosso antigo Reitor-Mor tornou a experiência ainda mais significativa e profundamente eclesial”.
No último dia, 18 de novembro, após momentos de animação e a missa presidida por Dom Ángel, os jovens viveram um emocionante momento de despedida e intercâmbio entre os participantes de diferentes países, encerrando com o almoço.
“Aonde o Senhor me manda, tenho que florescer”, foram as palavras do Cardeal Ángel que marcaram a reflexão final do encontro, convidando os jovens a continuarem a missão salesiana com renovado ardor.
Frutos para a MSMT
Os três representantes da MSMT retornaram transformados pela experiência. “Participar deste encontro com tantos jovens do continente americano me fez confirmar ainda mais a importância da juventude em nossas presenças. De como o trabalho salesiano requer alegria, amor e cuidado com os nossos jovens”, afirma Romário Corrêa. “Celebrar os 150 anos da primeira expedição missionária dos salesianos na América do Sul foi algo incrível e valioso em minha vida. Sou grato pela oportunidade e com tudo que aprendi e vivi neste retiro, levo para sempre em meu coração e para os jovens de Corumbá”.
Para João Lucas, o retiro representou um verdadeiro divisor de águas: “Fez-me retornar à minha terra melhor, à minha Inspetoria mais útil e mais disposto a servir. Conheci jovens, fiz amizades, aprendi com novos irmãos como tornar o nosso carisma uma forma ainda mais eficaz de tocar e transformar vidas”.
O Padre Rafael resume o sentimento comum aos três: “Volto com o coração renovado e com a missão reforçada de amar, servir e acompanhar os jovens com o mesmo ardor dos primeiros missionários”.




















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