Defensor de Direitos Humanos internacional retorna a Mato Grosso para trabalho voluntário junto aos povos indígenas

O defensor de direitos humanos e consultor de organismos internacionais, como as Nações Unidas (ONU), o argentino Nicolás Laino, dedicou o mês de abril para realizar um trabalho voluntário junto às comunidades indígenas em Mato Grosso. Com a agenda profissional no Oriente Médio cancelada, Laino escolheu retornar ao Brasil, entre os dias 10 de abril e 1º de maio.
O objetivo de sua vinda foi atuar diretamente no território, com a orientação do Diácono José Alves e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), auxiliando na infraestrutura e no acesso à água para os povos Warao, Nambikuara e Xavante.
O retorno e o compromisso solidário



A relação de Nicolás Laino com as comunidades locais começou em março de 2025, quando visitou o estado a convite da Defensoria Pública Estadual. Naquela ocasião, ele conheceu as aldeias da região de Areões e a atuação do Projeto AMA (iniciativa da Missão Salesiana que perfura e mantém poços artesianos).
Impactado pela realidade das comunidades e pelo trabalho realizado pelo diácono salesiano José Alves de Oliveira, o defensor decidiu voltar este ano por iniciativa própria. Em comunicado enviado, ele ressaltou que não se apresentava como jurista, mas como um colaborador disposto a apoiar no que fosse necessário, contribuindo também financeiramente para a aquisição de insumos e ferramentas para as aldeias.
Povo Warao (Cuiabá): A atuação teve início no dia 10 de abril, na chácara que acolhe os indígenas venezuelanos no bairro Nova Esperança. Laino adquiriu a lista de materiais necessários e participou ativamente da instalação de uma rede de abastecimento de água na comunidade, somando-se aos esforços já em andamento, como o uso de energia solar e o projeto de piscicultura.
Povo Nambikuara (Comodoro): Entre os dias 13 e 19 de abril, o defensor acompanhou o CIMI/MT na região de Comodoro. O foco principal foi o levantamento de diversas demandas da comunidade, com destaque para os graves desafios socioambientais provocados pela exploração ilegal de garimpo na região.
Povo Xavante (Campinápolis e região): De 22 a 29 de abril, o trabalho concentrou-se na manutenção de poços artesianos e na instalação de redes de abastecimento. Na aldeia Divina Providência, a equipe realizou a substituição de uma bomba elétrica que funcionava há quatro anos. Na aldeia Rio Coluene, a ação incluiu o apoio do diácono José Alves na cobrança ao Distrito de Saúde Indígena (DSEI) para a resolução da falta d’água, além da promoção de um almoço comunitário preparado para todas as famílias locais.
A agenda incluiu ainda um encontro com jovens indígenas de Campinápolis que residem no internato da Operação Mato Grosso, em Novo São Joaquim, e visitas institucionais na área urbana.
“Um dos aspectos que mais me marcou foi a importância do trabalho que os missionários realiza para garantir o acesso ao direito fundamental à água. Colocar ‘as mãos na massa’ nesse contexto me conectou com uma dimensão do serviço que, na minha trajetória, raramente havia experimentado de forma tão concreta e imediata”, relatou o defensor.
Laino também destacou o acolhimento das comunidades e o trabalho desenvolvido pelo salesiano. “Me impressionou profundamente a relação construída por José Alves com o povo Xavante. Ele é, para as comunidades, uma referência de confiança, respeito e proximidade”, avaliou, ressaltando a intenção de retornar em breve ao estado.
Para o diácono José Alves de Oliveira, que acompanhou toda a agenda, a presença do especialista fortalece a missão. “Foi gratificante conviver com Nicolas nestes dias pelas aldeias onde luto para realizar esse trabalho de levar água potável às comunidades. Sua disponibilidade, entrega e compromisso com a causa dos mais necessitados é um grande testemunho de amor ao próximo”, concluiu.




















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