Comunidade Xavante celebra 69 anos em Sangradouro e empossa novo cacique

Nesta terça-feira (24/02), a Comunidade Missionária de Sangradouro registrou data dupla: a comemoração dos 69 anos da chegada do povo Xavante ao território e a posse do novo cacique, Fábio Tsitobrowe. O padre Francisco de Lima Ribeiro, diretor da comunidade salesiana, presidiu a Eucaristia na aldeia, rezando pelo povo e pelo novo líder, que assumiu o cargo logo após a celebração.
Uma missão nascida às margens do rio
A história que culminou nessa data tem raízes no início do século XX. A Missão Salesiana de São José de Sangradouro surgiu da compra de uma fazenda às margens do rio Sangradouro, realizada pelo salesiano padre Malan em 1906. O local servia, originalmente, de ponto de descanso para os missionários nas viagens entre Cuiabá e outras localidades. O próprio nome da missão remete ao uso histórico do lugar: era ali que se realizava o abate de gado, facilitando o transporte da carne na época. A chegada dos salesianos ao Mato Grosso havia ocorrido em 1894, com a criação da Colônia Teresa Cristina, seguida pela missão em Meruri (1902), Sangradouro (1906) e, décadas depois, São Marcos (1957).
Primeiros passos e estrutura da missão
O primeiro diretor da missão foi o padre Rafael Traversa. Em 1909, assumiu o padre João Bálzola, e dois anos depois, em 1911, chegaram ao local as irmãs da congregação Filhas de Maria Auxiliadora, que passaram a integrar as atividades pastorais e educativas. No início, a missão conviveu com grupos indígenas Bororo que trabalhavam na fazenda, mas, com o tempo, tornou-se ponto de acolhida também para grupos Xavante, especialmente após episódios de violência e expulsão sofridos por esse povo em outras regiões, como Parabuburi.
Encontro marcado pela tragédia
A primeira aproximação documentada entre missionários salesianos e os Xavante data de 1934 e foi marcada por um episódio trágico. Durante uma emboscada, os padres Giovanni Fuchs e Pedro Sacilotti foram mortos. O acontecimento ficou registrado na memória da missão e moldou as décadas seguintes de relação entre os salesianos e o povo Xavante.
Educação, cultura e transformação
Ao longo do século XX, a Missão Salesiana de Sangradouro consolidou-se como centro de evangelização, educação e assistência social. A presença missionária contribuiu para a criação de escolas e internatos e para a promoção de atividades comunitárias. A partir da década de 1980, o trabalho passou por transformações: surgiram demandas por uma educação mais contextualizada e respeitosa à identidade Xavante, e a interação com as comunidades se aprofundou.
Território homologado e atuação atual
A missão está inserida na Terra Indígena Sangradouro, no município de General Carneiro, onde vivem povos Xavante e Bororo. O território foi homologado como reserva indígena na década de 1990 e abrange cerca de 100 mil hectares, com dezenas de aldeias. Hoje, a Comunidade Missionária Salesiana de São José de Sangradouro auxilia essas aldeias de forma contínua, promove a fé católica e desenvolve iniciativas sociais em parceria com outros atores. A missão também participa de eventos religiosos, como a celebração da Crisma de jovens Xavante em 2022, e de ações de promoção social e cultural na região.

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