Comunidade salesiana reúne gerações em Três Lagoas e testemunha força do carisma de Dom Bosco

Nesta semana, o inspetor da Missão Salesiana de Mato Grosso, padre Adalberto Alves de Jesus, esteve em Três Lagoas para um encontro quase informal. A visita parecia comum, mas o registro revelou algo profundo. Junto com a comunidade canônica da presença salesiana estavam salesianos formandos, realizando o período de férias pastorais. O encontro reuniu oito religiosos de gerações distintas, unidos pela fé e pelo carisma salesiano.
Oito homens, oito histórias, uma mesma missão
Na mesma sala, homens consagrados compartilharam a mesa e a oração. O irmão Armando Catrana, nascido em 1938, trazia no olhar a memória de décadas dedicadas ao serviço. Padre José Alves de Araújo nasceu em 1952. Padre Wilson Pereira nasceu em 1970. Valério Roberto Gomes, pós-noviço, nasceu em 1977. Padre Adalberto Alves de Jesus nasceu em 1978. Erivélton Marquês da Silva, estudante de teologia, nasceu em 1989. Padre João Marcos Molina nasceu em 1990. Pedro Paulo de Lima, nascido em 1993, fará o noviciado em 2026. Entre o mais idoso e o mais jovem, não havia apenas diferença de idade: havia continuidade de missão.
Gerações que se encontram, memória que se transmite
Toda cultura se sustenta na transmissão de memória. Sem anciãos, não há raízes; sem jovens, não há continuidade. O encontro de gerações preserva narrativas, gestos, símbolos e crenças que dão identidade a um grupo humano. Em uma família espiritual inspirada por Dom Bosco, essa transmissão não ocorre apenas por palavras, mas por testemunhos vivos. A fé não se herda como um objeto: ela se aprende pelo contágio da convivência. Cada geração torna-se guardiã de um tesouro recebido e responsável por entregá-lo renovado à próxima.
O espelho do outro constrói identidade
O ser humano constrói sua identidade no espelho do outro. Jovens necessitam de referências que apontem caminhos possíveis; idosos necessitam perceber que sua história permanece fecunda. Quando se encontram, ambos se reconhecem parte de algo maior do que suas biografias individuais. O jovem descobre que o tempo não é inimigo, mas professor; o idoso percebe que sua experiência ainda produz futuro. Nesse intercâmbio silencioso, forma-se uma comunidade afetiva na qual cada idade encontra seu lugar.
Ninguém se realiza sozinho
O ser humano é um animal relacional. Não basta existir; é preciso coexistir. A comunhão de gerações traduz essa verdade: ninguém se realiza sozinho. No horizonte cristão, essa relação torna-se vocação. O outro não é apenas companhia, mas sacramento da presença de Deus. O encontro entre idades diversas revela que a vida humana é uma corrente contínua, em que cada elo sustenta o próximo.
O carisma salesiano une o que o tempo poderia separar
O carisma de São João Bosco aprofunda essa dinâmica. Seu método educativo nasce da confiança no jovem, da ternura firme, da alegria que evangeliza sem peso. Ele compreendeu que educar é amar o tempo presente enquanto se constrói o futuro. Onde o espírito salesiano floresce, gerações não se separam: elas caminham lado a lado. A casa torna-se oratório; a convivência torna-se escola; a amizade torna-se caminho de santidade.
Complementaridade que completa a família espiritual
Cada palavra dita, cada silêncio respeitado, cada riso espontâneo constrói uma ponte invisível entre épocas. Os sacerdotes oferecem o testemunho de uma vida gasta pelo Evangelho; o irmão religioso encarna a fidelidade cotidiana; os estudantes representam o amanhã que já começa hoje. Não se trata de hierarquia de importância, mas de complementaridade. Ali, a fé não é teoria: é partilha de pão, de histórias, de esperança. O mais velho transmite sabedoria; o mais novo recorda que o Espírito sempre renova.
Santos confirmam a beleza do encontro
Os grandes santos da Igreja confirmam essa beleza. Santo Agostinho ensinou que ninguém chega a Deus sozinho. Santa Teresa de Ávila afirmou que a amizade é um dos caminhos seguros da vida espiritual. São João Paulo II insistiu que a juventude é a esperança da Igreja, mas reconheceu que a esperança precisa de memória para não se perder. O próprio Dom Bosco repetia que basta ser jovem para que ele ame.
Profecia de pertencimento em mundo fragmentado
O encontro intergeracional em ambiente familiar e espiritual não é apenas convivência; é profecia. Ele anuncia ao mundo fragmentado que ainda é possível pertencer, confiar e caminhar juntos. Ele afirma que a fé não envelhece e que a juventude não caminha sem raízes. Ele demonstra que o carisma salesiano continua acendendo luzes onde o tempo poderia criar distâncias.
Quando gerações se unem em torno de Deus, o tempo deixa de ser linha que separa e torna-se círculo que abraça. O mais velho reconhece no jovem sua continuidade; o jovem reconhece no ancião seu alicerce. No centro desse círculo, permanece vivo o fogo que Dom Bosco acendeu: fogo de fé, de alegria e de família.

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