Casa Dom Bosco de Campo Grande apresenta projeto de educomunicação em encontro nacional da RSB

A Obra Social Casa Dom Bosco, de Campo Grande, apresentou sua experiência com educomunicação durante o Encontro On-line de Boas Práticas Comunicacionais e Produção Cultural da Rede Salesiana Brasil (RSB), realizado nesta terça-feira (16/06). O evento reuniu equipes gestoras, de comunicação, pedagógicas e de pastoral de diversas presenças salesianas do país para compartilhar iniciativas que fortalecem a missão educativa por meio da comunicação.
Com o tema “Produção de conteúdos nas redes sociais: impulsionando o engajamento pelo protagonismo juvenil nas obras sociais”, o encontro destacou experiências que colocam os jovens no centro da produção de conteúdo. A Casa Dom Bosco foi uma das obras convidadas a apresentar suas ações, que vêm alcançando resultados expressivos nas redes sociais, especialmente no Instagram.
A apresentação foi conduzida pela coordenadora de projetos, Caroline Rodrigues Virgilio, e pelo educador de música e comunicação, Maycon Vianna. Durante o encontro, eles contaram como o projeto surgiu a partir da iniciativa de uma educanda.
Segundo Caroline, a história começou quando a jovem Mariana manifestou sua insatisfação após receber uma negativa para utilizar uma sala destinada às atividades de comunicação. Determinada a defender sua ideia, ela chegou a organizar um abaixo-assinado para solicitar a substituição da coordenadora. Embora a mobilização não tenha alcançado o número necessário de assinaturas, a atitude chamou a atenção da equipe.
Segundo Caroline, a história começou quando a jovem Mariana manifestou sua insatisfação após receber uma negativa para utilizar uma sala destinada às atividades de esporte para produzir algo referente a comunicação. Determinada a defender sua ideia, ela chegou a organizar um abaixo-assinado para solicitar a substituição da coordenadora. A iniciativa surgiu após o incentivo do coordenador Antonio Júlio, que explicou que, caso conseguisse reunir 50 assinaturas mais uma, a mudança na coordenação poderia ser solicitada. Embora a mobilização não tenha alcançado o número necessário de assinaturas, a atitude chamou a atenção da equipe.
Caroline conta que, em vez de ficar brava com a situação, percebeu na educanda um grande potencial comunicativo e de persuasão. A partir desse olhar, a equipe decidiu transformar aquela iniciativa em uma oportunidade educativa, valorizando as habilidades de liderança demonstradas por Mariana.
A partir do diálogo com a educanda, nasceu a proposta de criar um jornal da Casa Dom Bosco. Inicialmente, o material era produzido em formato PDF e reunia notícias e atividades desenvolvidas pela obra social. Nesse momento, Maycon Vianna passou a colaborar com o projeto, colocando à disposição seus conhecimentos em edição e diagramação.
“Sempre fui muito envolvido com as redes sociais. Quando a Carol apresentou a ideia, eu disse que sabia editar”, relembrou o educador.
Com o passar do tempo, a iniciativa ultrapassou as páginas do jornal e encontrou nas redes sociais um novo espaço de atuação. Os próprios educandos passaram a produzir conteúdos para o Instagram da instituição, assumindo o protagonismo na criação de vídeos, roteiros e apresentações.
O crescimento do perfil chamou a atenção. Em 2024, a página possuía cerca de 700 seguidores. Atualmente, o número se aproxima dos 7 mil. Parte desse resultado veio da produção de conteúdos alinhados às tendências das redes sociais e desenvolvidos pelos próprios jovens.
Entre os exemplos apresentados durante o encontro está um vídeo em que uma educadora tenta identificar os alunos apenas pela voz. Mesmo com as tentativas dos educandos de disfarçá-la, a educadora acertou a maioria dos participantes. A publicação ultrapassou 500 mil visualizações.
Outro destaque foi a adaptação da trend “Essa sala está muito quieta”. No vídeo, os estudantes explicam que o ambiente está silencioso porque Nicolas, conhecido por ser um dos alunos mais bagunceiros da turma, teria faltado. No entanto, a câmera revela que ele estava amarrado e escondido atrás da porta de um armário e, quando ela se abre, ele cai de cara no chão, em uma encenação criativa sugerida pelo próprio educando, que chamou a atenção pela atuação e pelo desfecho inesperado. Ao mesmo tempo, outro aluno conhecido pelas brincadeiras aparece ao fundo sendo “sequestrado” por colegas, reforçando o tom bem-humorado da produção. O conteúdo superou a marca de 11 milhões de visualizações e motivou os educandos a produzirem novas versões da brincadeira.
Para Caroline, um dos aspectos mais importantes do projeto é o público alcançado.
“São jovens produzindo conteúdo para outros jovens. Isso gera identificação e aproximação”, destacou.
Em 2025, o projeto recebeu um importante incentivo por meio de uma emenda parlamentar destinada especificamente às ações de educomunicação. Com isso, a iniciativa ganhou novos recursos e estrutura para ampliar as atividades já desenvolvidas desde o ano anterior.
Atualmente, Maycon atua diretamente com grupos de educandos, especialmente os adolescentes mais velhos, que participam ativamente da produção dos conteúdos digitais. Além das atividades voltadas às redes sociais, o projeto promove formações sobre temas relacionados ao universo digital.

Entre elas esteve uma palestra sobre cibersegurança, realizada por um especialista convidado. Durante o encontro, os próprios educandos levantaram questões sobre o uso seguro da internet, incluindo as recentes mudanças adotadas pelo Roblox. Neste ano, a plataforma Roblox passou a restringir recursos de comunicação para usuários menores de 13 anos, limitando o acesso a determinadas formas de chat e interação sem supervisão, como medida de proteção contra riscos de contato inadequado e exploração de crianças no ambiente digital. A decisão gerou forte repercussão e revolta entre parte dos usuários, especialmente entre crianças e adolescentes que utilizavam esses recursos para interagir com amigos dentro dos jogos, o que ficou conhecido como “Revolta do Roblox”. Durante a palestra, o especialista explicou que as mudanças foram implementadas após pressões de órgãos reguladores e especialistas em segurança digital, destacando que o objetivo da plataforma é reduzir situações de assédio, aliciamento e exposição de menores a conteúdos impróprios. A discussão permitiu que os educandos refletissem sobre os desafios de equilibrar liberdade de interação e proteção no ambiente on-line.
As atividades também abordam diferentes formas de comunicação. Recentemente, os participantes estudaram a comunicação não verbal por meio da análise de filmes e elementos visuais que transmitem mensagens sem a necessidade de diálogos. Como resultado, os próprios educandos produziram um curta-metragem sobre bullying, participando de todas as etapas do processo, desde o roteiro e atuação até a gravação, com apoio técnico na edição.
“As atividades que oferecemos aqui são oportunidades de aprendizado. Quem sabe da oficina de comunicação não saia um futuro comunicador?”, ressaltou Maycon.
O educador também lembrou que a Rede Salesiana Brasil já contribuiu com a doação de equipamentos para o projeto, fortalecendo uma iniciativa que surgiu de forma espontânea e que hoje se consolida como ferramenta educativa.
Os resultados já podem ser percebidos além das redes sociais. Caroline destacou que os jovens vêm assumindo novas responsabilidades dentro da obra. Na última reunião de pais, por exemplo, Mariana e o educando Nicolas conduziram o cerimonial do encontro. Em atividades externas, os participantes também costumam atuar como “repórteres por um dia”, registrando e apresentando aos seguidores as experiências vividas pela Casa Dom Bosco.
O projeto de educomunicação tem contribuído para desenvolver protagonismo, criatividade, senso crítico e habilidades de comunicação entre os educandos, reforçando a proposta salesiana de formar bons cristãos e honestos cidadãos.


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