Cardeal Ángel Artime fala sobre o legado do Papa Francisco e perspectivas para o próximo Conclave

Nos dias que antecedem o funeral do Papa Francisco e o início do Conclave que escolherá seu sucessor, o Cardeal Ángel Fernández Artime, Pró-Prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, tem sido procurado por diversos meios de comunicação. Em entrevista ao El Periódico e à Cope, ele compartilhou lembranças pessoais e refletiu sobre o futuro da Igreja.
O cardeal espanhol conheceu Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires, quando ainda era Cardeal-Arcebispo da capital argentina. “Lá vivi cinco anos como Inspetor dos Salesianos e foi lá que nos conhecemos. Lembro que ele viajava serenamente de metrô, quando os vagões ainda eram de madeira, visitando as Villas Miserias. Quando eu ia ao Palácio Episcopal, era ele mesmo quem abria a porta. Era um pastor simples, com fé profunda e convicta”, relembrou Artime.
Como o senhor recebeu a notícia da morte do Papa Francisco?
“Não esperava por isso. Era um dos que acreditavam que o Papa estava melhorando. Francisco nos deixa em um momento histórico importante”, afirmou o cardeal, visivelmente comovido.
Qual é a prioridade agora?
Segundo Artime, o momento é de oração e respeito. “Devemos prosseguir, com serenidade, nos próximos dias, para o seu sepultamento, no local que ele escolheu e com a sobriedade que ele quis, na Basílica de Santa Maria Maior. Basílica, que me é mui querida, porque foi lá que eu fui ordenado bispo”, explicou.
Como Vossa Eminência avalia o pontificado de Francisco?
“O Papa Francisco foi uma providência de esperança”, declarou.
Artime destacou que o Papa argentino aproximou a Igreja dos humildes, denunciou abusos de poder, guerras e injustiças, e manteve um diálogo constante com o mundo.“Teve um olhar corajoso e profético, mesmo quando isso não agradava a todos”.
O senhor acredita que o Papa estava preparado para partir?
“Sim, acredito que ele estava muito bem preparado. Ele desejava servir com excelência até o fim. E num dia tão significativo quanto o Domingo de Páscoa, acredito que, sem saber, ele conseguiu se despedir do povo de Deus”, disse Artime, mencionando a última aparição pública de Francisco na Praça de São Pedro.
E depois do funeral?
Após a despedida do pontífice, os cardeais serão convocados para o Conclave. Artime acredita que o processo será conduzido com responsabilidade e fé. “Creio que, com todas as mediações humanas, haverá uma tentativa honesta de escolher o Papa mais adequado para o nosso tempo”, afirmou.
Haverá continuidade ou mudança?
O cardeal rejeita a ideia de ruptura. “A história da Igreja é uma caminhada. Não acredito em ‘efeito pêndulo’. O próximo Papa estará ancorado em Jesus Cristo, no Evangelho e na Tradição Apostólica. Mas também será alguém capaz de manter vivo o diálogo com o mundo contemporâneo e o de amanhã”.
Entrar para o Conclave causa vertigem?
“Não”, respondeu com simplicidade. “Estamos todos no mesmo nível como membros do Colégio de Cardeais. Vivencio essa experiência com grande liberdade de espírito e disponibilidade.”
Fonte: El Periodico, Cope
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