A noite em que Corumbá parou para rezar a São José

Havia algo de especial no ar na noite da última quinta-feira, dia 19 de março. Dentro do Santuário Salesiano de Nossa Senhora Auxiliadora, em Corumbá, centenas de pessoas se apertavam nos bancos e nos corredores — não por obrigação, mas por amor. A cidade havia parado, silenciosamente, para homenagear São José.
A luz das velas e o peso da fé preencheram cada canto da igreja naquela celebração da Solenidade do santo. Quem presidiu a missa foi o Padre João dos Santos Barbosa Neto, reitor do Santuário, que depois descreveria o que viveu ali como um momento de profunda beleza e espiritualidade — palavras simples para algo que, para os presentes, era difícil de traduzir.
Em sua homilia, o sacerdote escolheu falar de intimidade. Não a intimidade ruidosa dos grandes gestos, mas aquela que se constrói no silêncio do cotidiano — a mesma que São José conheceu tão bem. Afinal, qual outro homem na história teria dormido sob o mesmo teto que o divino, partilhado refeições com ele, ensinado o Filho de Deus a trabalhar a madeira? São José não foi santo por milagres espetaculares, mas pela profundidade discreta com que viveu ao lado de Maria e de Jesus.
E talvez seja justamente isso que tanto move o povo corumbaense. A multidão que lotou o Santuário naquela noite não era apenas número — era testemunho. Testemunho de que o Patrono da Igreja Universal ainda habita os corações desta cidade, marcando com força e ternura o calendário litúrgico e a alma de quem por ali reza.







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