A caridade atravessa o Atlântico quando crianças escrevem ao Velho Mundo

Quem passasse pela Cidade Dom Bosco na semana que findou haveria de notar certo movimento incomum. Não se tratava de alvoroço, mas de uma atividade singular: trinta e três crianças e adolescentes do Programa Adoção à Distância empenhavam-se em redigir cartões natalinos. Os destinatários? Padrinhos que vivem na Espanha, do outro lado do oceano.
O leitor há de convir que existe algo de tocante neste gesto. Não era apenas papel e tinta o que aquelas mãos jovens manipulavam. Era gratidão, era esperança, era o reconhecimento de que há no mundo quem se ocupe de quem nunca viu. Os vínculos, dirá o leitor cético, não se fazem sem a presença. Engana-se: fazem-se também pela distância, quando a generosidade os sustenta.
Um programa que nasceu de mãos salesianas
A Cidade Dom Bosco mantém este programa que se chama Adoção à Distância. Não se pense, porém, que surgiu do acaso. O Padre Ernesto Sassida o concebeu. Sassida fundou a Obra Social Salesiana em Corumbá. O programa acolhe crianças e adolescentes a partir dos seis anos. Pessoas do exterior, movidas por sentimento filantrópico, fazem doações financeiras. Os recursos sustentam a instituição e amparam as famílias.
Os padrinhos que vêm de longe
A Espanha fornece alguns destes benfeitores. Outros vêm da Itália e da Eslovênia. A obra social dedica-se a captar recursos na Europa por intermédio de padrinhos. Somente assim os projetos se executam. O leitor verá nisto uma ironia: a caridade brasileira depende da Europa. Mas não há ironia onde há necessidade, e a necessidade, bem o sabemos, não escolhe continentes.

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