ACSSA e Rede Salesiana Brasil concluem formação em Patrimônio Histórico e Transformação Digital

A Associação de Cultores da História Salesiana (ACSSA), seção Brasil, concluiu a segunda edição do ciclo de formação sobre Patrimônio Histórico, com ênfase em Educação Patrimonial e Transformação Digital. A iniciativa, totalmente subsidiada pela Rede Salesiana Brasil (RSB), capacitou cronistas, secretários e secretárias inspetoriais, diretores, gestores, responsáveis de comunicação e educadores para os desafios de articular saberes patrimoniais às ferramentas digitais contemporâneas, com carga horária de 20 horas distribuídas entre encontros síncronos e atividades assíncronas no Centro Salesiano de Formação (CSF).
A missão por trás da iniciativa
A coordenadora da ACSSA, Ir. Maria Imaculada da Silva, define o propósito central da formação ao afirmar que “a educação patrimonial é um processo de aprendizado que ajuda as pessoas a reconhecerem, valorizarem e preservarem seu patrimônio cultural. O objetivo é fazer com que pessoas, comunidades, grupos compreendam a importância de sua própria história e a defendam como parte da identidade coletiva. Em essência, trata-se de utilizar documentos, objetos e relatos como ferramentas para construir cidadania e democratizar a memória.” Para ela, essa dimensão se articula à fidelidade ao carisma salesiano e à ação cotidiana das presenças da rede.
Três encontros, um percurso
A formação foi estruturada em três encontros on-line. O primeiro, realizado em 17 de março, trouxe as bases conceituais da preservação do patrimônio: o professor e mestrando Marcos de Lima Moreira, coordenador do Museu da Obra Salesiana no Brasil, apresentou um panorama histórico, e a professora doutora Ivana Parrela, da UFMG e especialista em Ciência da Informação, debateu a importância da Educação Patrimonial nas instituições.
O segundo encontro, em 14 de abril, colocou o patrimônio em diálogo com a modernidade. A professora doutora Suellen de Melo, analista da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), ministrou formação sobre difusão, gestão de documentos e estratégias digitais para salvaguardar e tornar acessíveis os acervos das casas salesianas.
O terceiro e último encontro on-line, realizado em 2 de junho, foi marcado pela apresentação de projetos de referência nacional: o Memorial Histórico da Missão Salesiana de Mato Grosso, o Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB), as ações da Escola Nossa Senhora Auxiliadora, de Ponte Nova (MG), e o processo de elaboração do e-book resultante da primeira edição do curso. As atividades no ambiente virtual do CSF serão encerradas na segunda-feira, 15 de junho.
Identidade salesiana em tempos digitais
O mediador pedagógico do percurso, o professor doutor Rodolfo Luís Leite Batista, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e membro da ACSSA Brasil, sintetiza os dois eixos centrais que sustentaram a formação: “O primeiro eixo tem a ver com a relação entre preservação, divulgação e inovação: tomar as tecnologias que temos hoje para encontrar nelas estratégias para que o patrimônio acumulado pela Família Salesiana possa ser conservado e mais bem conhecido pelo público. Em segundo lugar, essa dimensão é importante para a construção e manutenção da identidade salesiana. A transformação digital em relação ao patrimônio permite que essa identidade, que é focada na educação e assistência à juventude, possa ser renovada em função das demandas do tempo em que a gente vive.”
Os desafios da era digital para o patrimônio
O também coordenador da ACSSA, P. Tiago Figeiró, reconhece os avanços trazidos pela tecnologia, mas aponta horizontes que vão além dela: “Mais do que o uso da tecnologia, a transformação digital diz respeito a mudanças culturais, de grande impacto na vida da sociedade, atingindo as relações e a produção cultural humana em todos os níveis. Temas importantes do debate são: as consequências no direito autoral na preservação digital, na obsolescência tecnológica, na apropriação indevida, na curadoria digital, nas memórias múltiplas e na utilização de inteligência artificial na criação e restauração de patrimônios culturais.”
Para ele, as celebrações da história salesiana, a partir da vida e experiência educativa de Dom Bosco e Madre Mazzarello, não apenas revisitam uma história de alcance global, como também revelam “a grande influência salesiana na cultura, entendida de um modo amplo”, legado que abrange tanto o patrimônio material quanto o imaterial.
Da teoria à prática documental
Ir. Maria Imaculada sintetiza a trajetória percorrida pela formação ao declarar que “partimos de bases teóricas para chegarmos ao reconhecimento de como andam os nossos processos documentais. Insistimos no fato de que não basta tomarmos consciência que temos um rico patrimônio acumulado, é preciso colocar a mão na ‘massa’ documental para organizá-la tecnicamente e dar acesso àqueles que desejam visitar, conhecer, pesquisar. Geri-la com qualidade é condição de preservação.”
Ao conectar a riqueza histórica das obras salesianas às possibilidades do universo digital, a ACSSA e a RSB reafirmam o compromisso de manter viva a memória de Dom Bosco e Madre Mazzarello para as próximas gerações de educadores em todo o país.
Com informações: Rede Salesiana Brasil (RSB)

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