Líderes convocam salesianos cooperadores a renovarem a missão pelos jovens do mundo

Roma recebeu, entre os dias 7 e 10 de maio de 2026, representantes dos Salesianos Cooperadores de todos os continentes para o VI Congresso Mundial da Associação, em celebração ao 150º aniversário de sua aprovação canônica pelo Papa Pio IX. O Reitor-mor Salesiano, padre Fábio Attard, o Conselheiro Mundial para a Família Salesiana, padre Joan Lluís Playà i Morera, o ex-reitor-mor padre Pascual Chávez e a superiora das Filhas de Maria Auxiliadora, irmã Chiara Cazzuola, entregaram ao Congresso mensagens com convergências sobre a identidade e o futuro da Associação, e traçaram linhas para o sexênio 2026-2032.
O fermento e a pasta: quatro verbos para a ação
O Reitor-mor padre Fábio Attard tomou o tema do Congresso, “Ser fermento para ser fecundos”, como ponto de partida para uma reflexão estruturada em três partes e formulou quatro verbos como atitudes concretas para os cooperadores: olhar, escutar, escolher e agir. Attard situou o projeto original de Dom Bosco como uma comunidade de leigos inseridos na vida das famílias, do trabalho e da sociedade, e não como um grupo auxiliar de obras religiosas. O Reitor-mor recordou que Dom Bosco chamava os cooperadores de “verdadeiros Salesianos no mundo”, pessoas que compartilham a missão e se sentem responsáveis por ela, e não simples simpatizantes ou benfeitores. Attard citou também a última circular de Dom Bosco, escrita em 8 de dezembro de 1887, na qual o fundador recomenda aos cooperadores ao cuidado dos jovens pobres e abandonados, que sempre ocuparam o lugar mais querido do meu coração “, palavras que o Reitor-mor qualificou como de uma força mais atual do que nunca.
A presença no mundo sem pertencer ao mundo
O reitor-mor emérito padre Pascual Chávez presidiu a Missa do 150º aniversário da Associação, em 9 de maio, em Sacrofano, e centrou a homilia na tensão entre a presença no mundo e a não pertença a ele. Chávez conduziu os presentes pelo percurso missionário de Paulo e Timóteo nos Atos dos Apóstolos para mostrar que a Associação se desenvolveu não por consequência de um plano estratégico, mas como docilidade ao Espírito Santo, que abre fronteiras geográficas e corações ao Evangelho. O sacerdote recorreu a uma homilia do Papa Francisco para definir a mundanidade como “uma cultura do efêmero, uma cultura das aparências, da maquiagem, uma cultura do ‘hoje sim, amanhã não’; uma cultura que não conhece a fidelidade, porque muda de acordo com as circunstâncias, negocia tudo”. Chávez encerrou a homilia com um chamado à clareza sobre o que a missão exige: “Se damos Cristo, damos tudo; se damos tudo, mas não Cristo, não damos nada!”
O olhar para dentro como condição do olhar para fora
O padre Joan Lluís Playà i Morera, Conselheiro Mundial para a Família Salesiana, presidiu a Missa do segundo dia do Congresso, em 8 de maio, e propôs o movimento de olhar para dentro como a tarefa do dia, distinto de uma simples revisão das atividades nos grupos, nos centros e nas províncias. Playà sublinhou que esse olhar alcança o que dá sentido à vida pessoal e associativa, o que o Senhor fez e continua a fazer em cada membro. O sacerdote destacou que a primeira citação do Projeto de Vida Apostólica dos cooperadores vem exatamente do trecho evangélico proclamado naquela celebração: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos constituí para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”. Playà convidou os presentes a fixar o olhar em figuras de leigos que viveram a santidade nas condições da vida comum, como pais, mães, profissionais e jovens, e a se sentirem inspirados por sua espiritualidade apostólica.
A dimensão feminina como condição de plenitude do carisma
A superiora das Filhas de Maria Auxiliadora, irmã Chiara Cazzuola, enviou uma mensagem ao Congresso e apresentou a complementaridade entre as contribuições femininas e masculinas como condição para o carisma salesiano atingir a sua plenitude, com base na convicção de que “há um dar e receber que enriquece e fortalece as energias e os projetos para o bem”. Cazzuola recordou a expressão de Dom Bosco nos seus últimos anos: “Sempre precisei de todos”, e destacou a metodologia educacional de Maria Mazzarello, que não se limita a uma resposta assistencialista, mas se concentra nos valores que fomentam o crescimento da pessoa. A superiora apontou que a mediação feminina no processo de humanização se expressa pela atenção à vida, às relações, à resiliência e à ética do cuidado, e concluiu com um desejo: “Que Maria, Mãe e Mestra de toda vocação salesiana, nos ajude a ‘ser fermento para ser fecundos’ na Igreja e na sociedade, e a oferecer às novas gerações a alegria de encontrar, conhecer e seguir Jesus”.

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