Salesiano recebe homenagem póstuma cinco anos após sua morte em Corumbá

O padre salesiano Pasquale Forin faleceu em Campo Grande no dia 10 de janeiro de 2021. Cinco anos depois de sua partida, a memória deste religioso pulsa entre os corações da população de Corumbá, cidade onde ele deixou raízes profundas ao longo de mais de três décadas de trabalho.
Jornal presta tributo ao legado do religioso
O jornal “Correio de Corumbá” publicou neste domingo (11/01) uma coluna em que o historiador Ahmad Schabib Hany homenageia o P. Pascoal. O texto destaca a dedicação e a obra do religioso em favor dos mais pobres em Corumbá.
Defensor dos direitos humanos e fundador de instituições
O “Correio de Corumbá” registra que o Padre Pasquale Forin foi profundamente ligado à defesa dos Direitos Humanos. O jornal recorda que ele fundou, na década de 1980, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o Centro de Defesa de Direitos Humanos Marçal de Souza. A publicação também destaca que o religioso instalou, juntamente com outros salesianos, a sede estadual da Comissão Pastoral da Terra para apoiar os trabalhadores rurais sem-terra.
Atuação em defesa da cidadania
A coluna ainda relata que o sacerdote fundou e coordenou o Comitê de Corumbá e Ladário da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e Pela Vida entre 1993 e 2021. O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, criou essa iniciativa. O texto do historiador Ahmad Schabib Hany informa que o religioso também fundou o Pacto Pela Cidadania, conhecido como Movimento Viva Corumbá. A iniciativa articulava os mais diferentes setores da sociedade civil para dar visibilidade e protagonismo a eles. O então Bispo Diocesano Dom José Alves da Costa atuou como principal articulador e primeiro Coordenador-Geral do movimento.
Reconhecimento da etnia Guató
O “Correio de Corumbá” também destaca que o salesiano ajudou no reconhecimento da existência da etnia Guató no Pantanal. A ação recordada ocorreu ao lado do Padre Osvaldo Scotti e da Antropóloga Iara Penteado, da FUCMT. Na época, o trabalho era reparar uma situação em que a etnia Guató teria sido expulsa da Ilha Ínsua durante o regime de 1964. A líder e matriarca Dona Josefina Ferreira perambulava pelos escritórios da FUNAI e ministérios em Brasília. Com a ajuda do Conselho Indigenista Missionário, a etnia conquistou o reconhecimento e o retorno às terras ancestrais no início da década de 1990.
Sensibilidade humana e articulação cidadã
Ahmad Schabib Hany escreve no “Correio de Corumbá” que Padre Pasquale foi “um homem de rara sensibilidade humana e cristã, um importante articulador e incentivador do protagonismo cidadão de diferentes faixas etárias, pois, mesmo sendo pároco em uma distante diocese do Pantanal Sul-Mato-Grossense, apoiou o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (MNMMR) na articulação Criança Constituinte Prioridade Absoluta, que originou a concepção da proteção integral do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990”.
O historiador destaca ainda na publicação que o padre deu “apoio incondicional ao Fórum Permanente de Entidades Não Governamentais de Corumbá e Ladário (membro da Plenária Estadual de Fóruns de Políticas Públicas de Mato Grosso do Sul), que efetivou o controle social de políticas públicas como Saúde, Assistência Social, Direitos da Criança e do Adolescente, Cultura, Direitos Humanos, Direitos dos Afrodescendentes, Direitos dos Povos Originários, Direitos dos Idosos, Direitos da Juventude, entre outros”.
A força que não conheceu limites
O texto do historiador conta que a idade avançada não impediu Pasquale de atuar como voluntário junto às crianças e adolescentes atendidos pelo CAIJ. Ele permaneceu envolvido na realização das atividades natalinas da comunidade do Cristo Redentor, onde está localizada a sede do projeto social destinado à proteção social da população infanto-juvenil em situação de vulnerabilidade econômica, educativa e social.
O último dia de luta
A coluna do “Correio de Corumbá” registra ainda que um homem que lutou tanto pela garantia dos Direitos Humanos teve suas últimas atividades na data em que se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Em 10 de dezembro de 2020, pela manhã, deixou uma mensagem aos seus contatos e, ao final da tarde, foi internado na Santa Casa de Corumbá. De lá foi transportado para Campo Grande, onde exatamente um mês depois, faleceu. Seu corpo foi sepultado em Campo Grande, no jazigo da Missão Salesiana de Mato Grosso.
Ahmad Schabib Hany desabafa ao concluir sua homenagem no jornal: “Todas as obras sociais de Padre Pasquale permanecem em atividade, embora sem sua presença inspiradora tenham sofrido um considerável arrefecimento, sobretudo o Centro de Documentação e Apoio aos Movimentos Populares (CEDAMPO), situado em Campo Grande”.
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