Missão Salesiana adere a projeto de acolhimento de indígenas Venezuelanos em Cuiabá

A Missão Salesiana de Mato Grosso, através do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), passou a atuar junto à comunidade indígena Warao em Cuiabá. O diácono José Alves de Oliveira é quem representa a MSMT nessa atividade. Desde 2020, grupos da etnia Warao, oriunda da Venezuela, chegam à capital mato-grossense. Eles enfrentam longas rotas de fuga da fome, da crise econômica e do colapso dos serviços básicos em seu país de origem para chegar ao Brasil.
Primeiras ações de acolhimento e denúncias públicas
Em Cuiabá, o primeiro acolhimento foi dado pelo padre jesuíta Aloir Pacini. Antropólogo e docente da Universidade Federal de Mato Grosso, ele aproximou-se das famílias Warao para compreender suas necessidades e mediar sua inserção nos serviços públicos. A atuação do sacerdote, a partir de então, passou a denunciar as vulnerabilidades enfrentadas pelos migrantes indígenas urbanos. Em 2022, ele tornou públicas mortes de crianças Warao que viviam em quitinetes superlotadas e sem ventilação adequada. As denúncias ganharam espaço na Câmara Municipal de Cuiabá em abril de 2023, quando P. Aloir apontou falhas no fornecimento de moradia e assistência básica e requisitou ações articuladas entre Município, Estado e União.



Integração da Missão Salesiana ao trabalho e vida comunitária na chácara
Na semana passada, o diácono salesiano José Alves de Oliveira passou a integrar o trabalho de apoio aos indígenas venezuelanos. Cerca de 75 pessoas da etnia Warao vivem em uma chácara localizada no bairro Nova Esperança, conseguida em doação pelo padre Aloir Pacini para acolher essas famílias. Os indígenas mantêm viva sua cultura, praticam a língua original e preservam a fé católica nesse local.
No último sábado (22/11) o padre Aloir Pacini celebrou a Santa Missa com a comunidade. Ele conduziu a celebração nas línguas portuguesa, espanhola e Warao, e a comunidade respondeu com cantos e orações. Além do sacerdote, também estiveram presentes a coordenadora do CIMI em Mato Grosso, Natália Filardo, o diácono salesiano José Alves de Oliveira e a voluntária da Pastoral da Criança, Eurípia Silva. Após a celebração, os voluntários realizaram um acompanhamento das crianças, em que a equipe avaliou peso, altura e sinais de desnutrição. A equipe verificou possíveis casos de diarreia e vômito e iniciou encaminhamentos para cuidados médicos. Ao final, a comunidade recebeu alimentos como inhame, cará, melancia e laranja para uma refeição leve e saudável.
Diagnóstico de problemas de saneamento e articulação com o poder público



A visita também levou os representantes da Missão Salesiana e CIMI a identificarem que a comunidade enfrenta graves problemas de saneamento. Os moradores não sabem como destinar o lixo produzido. Todo o lixo acumulado acaba sendo queimado em um local específico. A queima polui o meio ambiente e atrai insetos e moscas. O fogo contamina o solo e o cheiro incomoda os vizinhos. A constatação é de que essa situação exige políticas públicas para solucionar o problema. Por isso, o salesiano José Alves de Oliveira esteve na Prefeitura de Santo Antônio do Leverger na segunda-feira (24/11). O diácono conversou com o secretário de Saúde, Celso Anselmo Bicudo, que ficou de articular com o secretário de Obras a ida de um caminhão caçamba ao local. A máquina deve retirar o entulho acumulado na comunidade. “A prefeitura se comprometeu em pensar políticas públicas para a coleta futura do lixo produzido”, revelou José Alves.



Relatórios oficiais e desafios contínuos
A gestão municipal já realizou visitas técnicas à chácara e ao abrigo urbano neste ano. Os relatórios identificaram 69 famílias vivendo em Cuiabá. As famílias apresentam demandas recorrentes de saúde, alimentação, documentação e educação. A precariedade sanitária resultou em surto de catapora entre crianças acolhidas. A vigilância epidemiológica também mobilizou ações emergenciais de atendimento clínico.
Pesquisa sobre os Warao e perspectiva intercultural
Aloir Pacini produziu o estudo Os Warao em Cuiabá/MT: uma rede de janokos nas cidades do Brasil. O trabalho interpreta a presença Warao como fenômeno migratório complexo. A pesquisa defende abordagens interculturais sensíveis e contínuas. A trajetória dos Warao em Cuiabá combina avanços institucionais com desafios persistentes. A atuação conjunta entre sociedade civil e Estado permanece essencial para garantir direitos desses povos originários Venezuelanos.
Comunidade recebe sistema de energia solar para abastecimento de água



O diácono José Alves visitou a chácara dos Warao na manhã da última quarta-feira (26/11). O CIMI conseguiu viabilizar um projeto que visa atender a comunidade com um kit solar. O sistema funciona para manutenção de uma bomba d’água movida com energia solar. A energia que a comunidade paga tem valor muito alto. A bomba solar diminui o gasto com energia e ajuda a economizar recursos no final do mês.
O kit solar atende uma realidade que a comunidade tem em mente. Os Warao querem criar peixes. O povo Warao tem o peixe fortemente na sua cultura e a criação de peixes precisa de água. O salesiano instalou o kit solar para a bomba no poço já existente. O poço atende o abastecimento de água da comunidade. O sistema também vai encher o tanque que pretende criar peixes.
Visita técnica avalia estrutura
José Alves de Oliveira também levou técnicos da Empaer para resolver a questão do tanque. Os técnicos fizeram uma vistoria no local. Eles viram que é preciso uma limpeza no tanque. O tanque existente caberia 500 alevinos. A comunidade pode pensar no futuro em um tanque maior. A estrutura maior teria uma quantidade maior de peixes. O acompanhamento seria melhor fora do tempo das chuvas. O tanque atual vaza a água que se perde por infiltração e evaporação. O sistema atenderia talvez até meio do ano no máximo.
Planos para 2026
A comunidade acredita que para 2026 vai conseguir parcerias e projetos. O projeto precisaria de uma retroescavadeira que escavaria o tanque. A comunidade cobriria o tanque com lona. A expectativa é ter mais peixes para a comunidade Warao. O técnico que acompanhou a vistoria é Antônio Claudino da Silva Filho, conhecido como Toninho. Ele atua na Empaer na área de criação de peixes. A comunidade Warao tem grande esperança nesse projeto que vai contar com a ajuda do Instituto Federal para a aquisição dos alevinos. O Instituto Federal fica no município de Nossa Senhora do Livramento.
Desafio e solidariedade
O acompanhamento da realidade dos Warao é um desafio. Esses indígenas deixaram a Venezuela. Eles vieram em busca de uma vida melhor no Brasil. O grupo está no Mato Grosso, em Cuiabá, na região de Santo Antônio de Leverger. A igreja, a missão salesiana, o CIMI e pessoas de boa vontade veem essa realidade. As instituições se aproximam da comunidade. Elas procuram parcerias e melhorias junto com o povo e para o povo.








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