Benfeitor suíço financia perfuração de poços e leva água potável a duas aldeias xavante em Mato Grosso

O benfeitor suíço Christof Hürlliman visitou recentemente a Terra Indígena São Marcos, em Mato Grosso. Ele viajou com a esposa Ângela para rever o amigo xavante Mariano Wadzerepruwē, cacique da aldeia Obra de Maria. O reencontro ocorreu após anos de amizade iniciada quando o pai de Hürlliman esteve no Brasil com o “Projeto AMA” e Mariano trabalhava como motorista e técnico mecânico de caminhões na região. Ao chegar à aldeia Obra de Maria, o visitante encontrou uma situação de grave falta de água. As famílias lavavam roupas apenas três vezes por mês e buscavam água em outra aldeia. Pela manhã, usavam o pouco recurso para cozinhar e beber, e à tarde reutilizavam a água acumulada em tambores para o banho.
Sensibilizado, Hürlliman decidiu financiar a perfuração de um poço artesiano por meio da associação suíça MANNA – Ajuda ao Brasil. O trabalho ocorreu nos dias 13 e 14 deste mês de outubro, com execução por uma empresa contratada. Na aldeia Obra de Maria, o poço alcançou 60 metros de profundidade e garantiu cerca de 30 mil litros de água por dia. Com o valor restante, a equipe perfurou outro poço na aldeia Nossa Senhora das Dores, com 100 metros e vazão estimada em 45 mil litros diários. A aldeia Obra de Maria abriga cerca de 30 pessoas sob liderança do cacique Mariano Wadzerepruwē, enquanto Nossa Senhora das Dores reúne 65 moradores sob o comando de Marcelo Tserewadzi .



Parcerias fortalecem ações nas aldeias
O diácono salesiano José Alves acompanhou o casal suíço e relatou o impacto da visita. “Enquanto a gente perfurava nessas duas aldeias, apareceram mais indígenas da aldeia Maria Nossa Mãe, da Cristo Redentor, Santuário e José e Maria, todas com o mesmo problema que é falta de água,” afirmou. Ele destacou a necessidade de recursos para ampliar o atendimento. A Secretaria Especial de Saúde Indígena e a SESAI de Barra do Garças assumiram a instalação de caixas d’água e torneiras. A presidente da Câmara Setorial Temática da Saúde Indígena, Paloma Veloso, reconheceu o trabalho conjunto. O diácono acrescentou que “a vinda do Christof e da Ângela serve como alegria, esperança e continuidade desse trabalho com a parceria da Suíça”.



Esperança e continuidade do projeto
Com a conclusão das perfurações, as comunidades garantiram o abastecimento de água potável e reduziram o uso da água barrenta do rio São Marcos. A obra fortaleceu o Projeto AMA, conduzido pela Missão Salesiana de Dom Bosco, que busca novas parcerias para ampliar as ações. Segundo José Alves, a experiência reforçou o compromisso com a causa indígena. Ele afirmou que “a demanda é real e nossa missão não acabou perante essa realidade, pelo contrário, é desafiadora para todos nós”.



























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