Capitulares avançam no 29º Capítulo Geral com diálogo e reflexões sobre a missão salesiana

A reflexão dos capitulares do 29º Capítulo Geral, que está acontecendo em Turim-Valdocco, alcançou nesta quinta-feira (27/02) um momento significativo de virada.
Após os intensos dias iniciais dedicados à escuta das apresentações do Reitor-Mor e dos Conselheiros Gerais, os capitulares iniciaram uma fase mais interativa e propositiva. As observações, perguntas e propostas dos participantes foram encaminhadas ao presidente do Capítulo, P. Stefano Martoglio, dando início a um diálogo mais aprofundado e direcionado.
Essa etapa se concretizou graças ao trabalho das seis Comissões Interregionais, criadas para garantir que todos os capitulares pudessem expressar seus pontos de vista de maneira construtiva. Nessas comissões, buscou-se analisar os principais desafios e definir objetivos para o futuro da Congregação.
Após uma manhã dedicada a essas atividades de estudo e discussão, a tarde marcou o início de uma nova fase: a primeira sessão pública de respostas dos Conselheiros Gerais de Setor às questões levantadas por escrito pelos capitulares.
Quatro Conselheiros Gerais tomaram a palavra, aprofundando temas cruciais para o progresso e a missão da Congregação.
P. Ivo Coelho, Conselheiro Geral para a Formação, abordou uma das questões mais delicadas: a fidelidade ao carisma salesiano e à profissão religiosa, especialmente entre os jovens salesianos. Ele destacou que não se pode atribuir toda a responsabilidade pelo abandono vocacional ao chamado “contexto cultural desfavorável”. Pelo contrário, observou um dado encorajador: justamente onde o contraste cultural é mais forte, a taxa de abandono é inferior à média mundial. Isso sugere que os jovens que respondem à vocação nesses contextos já encontraram soluções pessoais para a relação entre fé e vida.
P. Miguel Ángel García Morcuende, Conselheiro Geral para a Pastoral Juvenil, enfatizou que a reorganização das presenças salesianas não deve ser vista apenas como uma questão administrativa ou estrutural. Trata-se, na verdade, de um processo para melhorar a oferta educativa aos jovens, considerando também as condições das comunidades salesianas. Ele ressaltou a importância de políticas que protejam a rotina das comunidades, garantindo espaços para a vivência plena do carisma. Como exemplo, citou o modelo adotado pelas inspetorias italianas para tornar o governo mais eficiente e próximo das necessidades locais.
Em sua intervenção, P. Alfredo Maravilla, Conselheiro Geral para as Missões, falou sobre o processo de seleção e envio de missionários. Ele explicou que a missão nasce de um projeto apresentado pelo inspetor, descrevendo os perfis necessários para a atuação missionária. A partir disso, inicia-se um processo de discernimento para a escolha e envio dos missionários, concluído com a aprovação do Reitor-Mor e do Conselho Geral. No entanto, ele alertou que, por mais estruturado que seja o processo, nem sempre é possível identificar o “missionário perfeito” desde o início. Assim, convidou os capitulares a confiarem no processo, reafirmando que a qualidade da formação e a boa gestão dos recursos humanos são fundamentais para o sucesso das missões.
Por fim, P. Gildásio Mendes, Conselheiro Geral para a Comunicação Social, abordou um tema particularmente atual: a necessidade de combater o clericalismo, que ele definiu como uma verdadeira “doença” dentro da Igreja. Fazendo referência aos ensinamentos do Papa Francisco, ele afirmou que o clericalismo leva ao esquecimento do Batismo e da pertença ao povo de Deus. Propôs um retorno ao estudo dos documentos do Concílio Vaticano II e à prática do ensinamento de Jesus: “cingir os rins para servir aos irmãos”. Ele acrescentou que a verdadeira evangelização não pode se limitar às redes sociais, mas deve se basear em um testemunho de vida autêntico, capaz de convencer e evangelizar no dia a dia.
A primeira sessão pública de respostas marcou um momento importante para o Capítulo Geral. Permitindo aprofundar questões fundamentais para a vida e a missão da Congregação, ofereceu aos capitulares a oportunidade de iniciar um diálogo construtivo e enriquecedor.
Os trabalhos continuam nesta sexta-feira, 28 de fevereiro, com a segunda parte das respostas, que contará com as intervenções do Vigário do Reitor-Mor, do Ecônomo Geral e dos Conselheiros Regionais. Essa sessão representa uma nova oportunidade para esclarecer ainda mais as propostas e estratégias necessárias para enfrentar os desafios futuros e fortalecer a missão salesiana nos próximos anos.










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